Atualidade do pensamento de Marx ou Marx pensador da atualidade?! História?!

 

 

 

A Rússia era o elo mais fraco da corrente imperialista, logo, a Rússia era um país imperialista e, assim, as Revoluções Russas de 1917 não foram de Libertação Nacional duma Colônia do Imperialismo e foram antes de tudo de Libertação Política duma Sociedade do Absolutismo e em Favor da Democracia Representativa e de Libertação Social duma Sociedade da Democracia Representativa e em Favor da Democracia Dos Trabalhadores Organizados em Sovietes. A Revolução Russa foi muito mais parecida com a Revolução Francesa do que com a Revolução Estadunidense de Independência. As Revoluções Russa e Francesa tiveram muito mais Guerra Civil do que a Guerra de Independência da Revolução Americana dos Estados Unidos. A necessidade de defesa e proteção que a Comunidade Social tinha na Rússia e na França era muito maior do que a Comunidade Social tinha nos Estados Unidos porque na Rússia e na França a Comunidade Social vivenciava a situação (para não dizer o estado) de Guerra Civil enquanto que nos Estados Unidos a Comunidade Social (apesar do escravismo sulista) vivenciava a Paz Civil. A situação de Guerra Civil da Comunidade Social na Rússia e na França conduziu a Revolução a se defender e proteger usando a máquina do Estado, ou seja, aí a tomada da máquina de poder do Estado para colocá-la a serviço dos seus interesses de classe era algo perseguido por todas as classes em Guerra Civil, logo, aí a mudança foi muito mais mudança de classe dominante no poder da máquina do Estado do que extinção do poder de classe dominante (sobre as classes dominadas) e/ou abolição social das classes.

O que quero dizer com isso é que tanto a Rússia quanto a França tomaram e conquistaram um poder de Estado muito semelhante à máquina de Estado que antecedeu as suas Revoluções. Mais ainda, tanto a Rússia quanto a França aperfeiçoaram o poder da máquina de Estado que conquistaram de modo que permaneceram na condição da qual partiram, ou seja, continuaram sendo Estados-Nações Imperialistas, a Rússia sendo o Estado-Nação Imperialista Resultante Duma Revolução Proletária e a França o Estado-Nação Imperialista Resultante Duma Revolução Burguesa. Napoleão Bonaparte é o exemplar Imperial do Estado-Nação Resultante Da Revolução Francesa e o Bonapartismo é o nome usado por Trotsky para caracterizar fenômeno Imperial do Estado-Nação Resultante Da Revolução Russa. O tal do Burocratismo, portanto, é o fenômeno da continuidade, manutenção e aperfeiçoamento do poder da máquina do Estado feitos pelas Revoluções Russa e Francesa.

Mas, agora, podemos recorrer à citação duma passagem de “Os significados da Política”:

“Na Roma imperial, a pólis é substituída pelo Estado. A ação política se restringe à disputa pelo poder e controle do Estado, uma instituição a serviço dos interesses privados. A política romana metamorfoseia o significado original da república – res publica, “coisa pública” – para a instituição em que se realiza “o estado das coisas públicas”. Ou seja, a política institucionaliza-se na esfera estatal, autônoma e paralela à atividade social.” (https://antoniozai.wordpress.com/2017/04/15/os-significados-da-politica/)

Esta substituição da pólis pelo Estado já tinha ocorrido na instituição de outro Império, o de Alexandre, mas, certamente, o Romano foi bem mais sólido e tornou o nome César título dos Imperadores Romanos. A Rússia era um dos Regimes Imperiais herdeiros deste Cesarismo de modo que o Imperador Russo era intitulado de Tzar ou Czar. Acrescentaria à frase “a política institucionaliza-se na esfera estatal, autônoma e paralela à atividade social” que a política se verticaliza e, nesse sentido, torna o espaço público patrimônio desta esfera estatal acima da comunidade dos homens livres ou dos cidadãos. Napoleão Bonaparte, mesmo quando se tornou Imperador, foi visto como mais um dos instituidores do Cesarismo. Só depois de sua morte que Bonapartismo começou a ser usado no lugar de Cesarismo e como uma forma moderna do Cesarismo.

O Tzar ou Czar era um Imperador Cesarista que detinha o patrimônio do Estado Russo e que, no século XIX, chegou a ser considerado, por Marx, o bastião da reação. Depois da Revolução Russa é o Bonapartismo quem passa a deter o patrimônio do Estado Russo, o qual, por sua vez, no século XX, chegou a ser considerado, por aliados e adversários, o bastião da revolução. Mesmo Trotsky que criticava a URSS como Estado Operário Deformado pelo Bonapartismo e sua Burocracia continuava considerando que a URSS era o bastião da revolução.

Mudemos um pouco o assunto.

“Entrando em qualquer Wal-Mart, você não vai se surpreender em ver as prateleiras cheias de produtos feitos na China – tudo, desde sapatos e roupas até brinquedos e eletrônicos. Mas o onipresente rótulo ‘Made in China’ obscurece um importante ponto: poucos desses produtos são feitos por companhias chinesas nativas. De fato, você teria dificuldade em encontrar uma única firma chinesa nascida no país que opera em uma escala global e promove seus próprios produtos no exterior.                                                                                                              “Isso ocorre porque o boom de exportação de manufaturados é largamente uma criação de Investimento Estrangeiro Direto (IED), o qual efetivamente serve como substituto de empreendedorismo doméstico.”
– Y. Huang, T. Khanna, Foreign Policy, julho/agosto 2003 (extraído de https://rr4i.milharal.org/2004/08/02/china-rumo-ao-abismo/ )

A China, do final do século XIX e início do século XX, era considerada uma semi-colônia e, curiosamente, inicialmente era um Império, que veio a ser derrubado pela revolução republicana e democrática liderada por Sun Yat-Sen e seu Kuomitang. Mas era um Império invadido e subjugado pelas ações imperialistas de diferentes países capitalistas.

“Em 1980, o governo abriu quatro Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) para investimento estrangeiro em Guangdong, perto de Hong Kong. Existem hoje cerca de 12 mil ZEEs, a maioria concentradas na costa sudoeste. Elas são essencialmente colônias econômicas capitalistas no Estado operário deformado, responsáveis por um oitavo do total da produção industrial da China e metade das suas exportações. Os capitalistas chineses em Hong Kong e Taiwan que fizeram a maior parte dos investimentos iniciais acharam as ZEEs bastantes lucrativas. A China tem uma das forças de trabalho mais baratas do mundo: os salários são metade dos níveis mexicanos e um vinte avos do americano. Os salários são rebaixados porque o PCCh, que estabelece as regras, suprime impiedosamente qualquer tentativa de criar sindicatos efetivos [e subsidia, via serviços públicos, muitos dos gastos de subsistência].” (Extraído de https://rr4i.milharal.org/2004/08/02/china-rumo-ao-abismo/)

O tal Estado operário deformado chinês parece estar refletindo o antigo Império chinês anterior à revolução chinesa de 1949 e aqui ele parece se comportar duma forma que parece admitir que a China seja uma semicolônia.

“A teoria do modo de produção asiático como modo de produção característico das milenares formas orientais de sociedade, bem como primeira forma mais geral de sociedade pós-comunidade primitiva, sempre foi fundamental para a concepção histórica de Marx. Este modo de produção asiático, que às vezes Marx chamava simplesmente de forma asiática ou forma oriental de produção, caracterizava tanto uma evolução sócio-cultural das formas tribais sedentário[a]s e semi-sedentárias, bem como aparecia também [em, como] contraposição mais evidente em relação ao contraditório desenvolvimento da história greco-romana ocidental. As sociedades orientais, segundo Marx, haviam permanecido culturalmente estagnadas durante milênios. Suas mais importantes formações econômico-sociais, como a China e a Índia, não se teriam alterado substancialmente mesmo com as grandes invasões de povos bárbaros em passado mais remoto, como os mongóis, os árabes e os hunos. Estes povos, apesar de superiores belicamente a chineses e hindus, eram culturalmente inferiores a essas grandes civilizações orientais de culturas milenares. Essa categoria de modo de produção asiático (asiatisches Produktionsweise) aparecia para Marx, portanto, como categoria definidora dos traços fundamentais tanto destas sociedades orientais antigas, como também na pré-história da própria sociedade greco-romana clássica.” (Extraído de http://orientacaomarxista.blogspot.com.br/2009/05/marx-e-o-ultimo-engels-o-modo-de.html )

Aqui é preciso destacar: “As sociedades orientais, segundo Marx, haviam permanecido culturalmente estagnadas durantes milênios. Suas mais importantes formações econômico-sociais, como a China e a Índia, não se teriam alterado substancialmente mesmo com as grandes invasões de povos bárbaros em passado mais remoto, como os mongóis, os árabes e os hunos. Estes povos, apesar de superiores belicamente a chineses e hindus, eram culturalmente inferiores a essas grandes civilizações orientais de culturas milenares.”

As grandes civilizações da China e da Índia não se alteraram com as grandes invasões de povos bárbaros que também parecem não ter se alterado culturalmente de modo significativo. A China, que passou pela revolução de 1949, parece absorver com sua civilização oriental milenar as atuais atividades capitalistas que a fazem parecer semelhante à condição de semicolônia de seu passado recente, anterior à revolução de 1949. Já a Índia, que se libertou da Inglaterra em 1947, permanece uma civilização oriental milenar, apesar de já ter sido dominada pelos árabes e pelos ingleses, por exemplo. Atualmente, tanto a China quanto a Índia independentes são consideradas nações emergentes ou sociedades de desenvolvimento emergente. Ao mesmo tempo que elas se abrem para o capitalismo desenvolvido elas parecem permanecer fechadas nas suas civilizações orientais de culturas milenares, bem como exportando para o Ocidente suas práticas culturais milenares (acupuntura, tai-chi, I Ching, Arte da Guerra etc./yoga, meditação, Kama Sutra, Bhagavad Gita etc.).

Como elo mais fraco da corrente imperialista, o Império Czarista Russo pôde se transformar na URSS e, em lugar, de seguir o Antigo Regime Absolutista Francês, na condição de um dos elos mais fortes da corrente imperialista, transformado pela Revolução Francesa, e exportar a sua Revolução Burguesa por meio das chamadas Guerras (Centrais) Napoleônicas, consideradas guerras quentes por serem feitas diretamente contra as potências do sistema imperialista, se limitou a exportar a sua Revolução Proletária por meio das chamadas Guerras (Periféricas) de Libertação Nacional e/ou Colonial, consideradas guerras frias por serem feitas indiretamente contra as potências do sistema imperialista. Porém, se a sua força vinha desta sua condição de elo mais fraco e com estas características predominantemente orientais, de uma adaptação e adequação às condições naturais, que fazem de todos os povos orientais, por mais civilizados que sejam, exemplares duma estagnação de milênios, ao mesmo tempo, que explicam como com o inverno o Império Czarista derrotou Napoleão tal qual a URSS derrotou Hitler em novo inverno. Também aí se encontrava a sua fragilidade porque, uma vez libertos da condição de colônias e semicolônias, os Estados-Nações independentes não precisariam mais necessariamente manter relações de dependência da URSS para serem livres e poderiam livremente desenvolver relações econômicas para suprir suas necessidades até mesmo com os elos mais fortes da corrente imperialista. Aliás, os elos mais fortes da cadeia imperialista, a Inglaterra e os Estados Unidos, estavam preparados para isso desde muito e viram na efetivação da descolonização generalizada o momento oportuno de lançamento da Globalização do Mercado Máximo e do Estado Mínimo por meio do Neoliberalismo. A opção da URSS era justamente a do Estado Máximo e do Mercado Mínimo, além disso, ela não estava preparada para a redução do Estado ao Mínimo e a ampliação do Mercado ao Máximo, ou seja, se os países libertos do colonialismo não optassem por se manter dependentes do Estado Máximo e Mercado Mínimo exemplares da URSS, então este elo mais fraco da cadeia imperialista não teria mais onde se apoiar para manter seu modelo sistematicamente combatido pelos elos mais fortes da cadeia imperialista.

Foi isto que aconteceu. Desde a Guerra do Vietnam que a China foi se afastando da URSS e que o processo generalizado de descolonização indicava igualmente um afastamento da URSS, ou seja, a China, o Vietnam e a maioria dos países libertos do colonialismo vinham optando por conseguir um desenvolvimento independente do colonialismo, mas também independente da URSS. Para a URSS era vital a manutenção e desenvolvimento de uma comunidade de países vinculados a ela, porque, na condição de elo mais fraco, só teria chance de enfrentar em pé de igualdade, numa Guerra Quente, os elos mais fortes da cadeia imperialista, se os países libertos do colonialismo, dirigidos pela URSS, enfrentassem diretamente a cadeia imperialista nesta Guerra Mundial Contra O Imperialismo Capitalista.

Além disso, a URSS vinha tendo problemas no seu próprio império doméstico não só desde seu surgimento e de seu processo de consolidação do poder da sua máquina de Estado, mas, depois de já consolidada, quando ela começou a apresentar “disfunções” nos seus mecanismos de funcionamento e a só conseguir resolver tais disfunções agindo de forma imperialista e colonizadora no seu campo doméstico, logo, contradizendo inteiramente a forma libertária e cooperadora com a qual se apresentava no campo mundial das periferias.

Ela teve diversos problemas, mas aquele que se tornou o mais significativo e um dos últimos foi seu problema no Afeganistão. Aí ela enfrentou de certo modo a si mesma, no sentido de que ela sempre financiava (treinava e armava) guerrilheiros nos países em guerras de libertação nacional e/ou do colonialismo e sempre enfrentava do outro lado o imperialismo que financiava (treinava e armava) o status quo defensor da guerra pela servidão nacional e/ou de manutenção do colonialismo. Ela era o status quo no Afeganistão e os guerrilheiros nativos que queriam a libertação nacional eram financiados (treinados e armados) pelo imperialismo dos EUA. Além disso, o regime nacional que os nativos queriam libertar era tradicional e milenarmente um regime de servidão, porque era assim que os nativos compreendiam o exercício de sua liberdade, ou seja, tais nativos eram bárbaros ou defensores da barbárie e não da civilização. Eles eram tais quais aqueles povos citados acima por Marx como mais belicistas e bárbaros do que os chineses e hindus que invadiram e dominaram durante certo tempo. Aliás, eles eram vizinhos do Paquistão, um país surgido durante o processo de Independência da Índia por ser culturalmente composto pelos antigos dominadores árabes e submissos à cultura árabe bem como contrários à cultura hindu.

Por outro lado, tais povos são os povos belicistas por excelência, quer dizer, não só são os povos culturalmente inferiores que dominam civilizações culturalmente superiores como também são os povos acostumados a um Mercado Máximo e a um Estado Máximo que não se apresenta como tal, quer dizer, como um Estado Civilizado porque se baseia na existência dum Estado Bárbaro, ou seja, de um Estado que funciona muito bem em meio ao caos e à anarquia ou à barbárie. O atual Estado Islâmico exemplifica isto muito bem.

Ora, estes guerrilheiros do Afeganistão, financiados (treinados e armados) pelos EUA, são campeões do novo sistema dominante lançado pela Inglaterra e EUA que globaliza o Mercado Máximo e o Estado Mínimo. E como campeões do novo sistema dominante eles não demoram a perceber que podem dominar também os civilizados países dominantes da cadeia imperialista. E eles inauguram o século XXI com esta perspectiva de se tornarem os bárbaros capazes de dominar todos os civilizados e dominantes do mundo inteiro. Eles nada perdem com as destruições de Estados-Nações relativamente civilizados e/ou dominados pelos Estados Civilizados, ao contrário, eles só ganham com isso, porque estão baseados no caos e na anarquia do Mercado Máximo que fazem da sua barbárie o Estado Mínimo.

E daí?!

Daí que o pensamento de Marx se mostra mais atual do que muito pensamento que anda por aí. Daí que para mudar o mundo é preciso compreendê-lo a partir de suas determinações mais simples de modo a poder elaborá-lo num todo complexo. E é de posse desta totalidade complexa que se torna possível articular as determinações mais simples numa totalidade complexa num mundo da comunidade humana em relação horizontalizada sem classes, sem mercado, sem Estado nem poder de máquinas de Estado mínimas ou máximas nem bárbaras ou civilizadas. Ora, a perspectiva de um tal mundo se encontra presente na socialização dos meios de produção mais desenvolvidos por toda a comunidade humana e não em dosagens sucessivas de socialização de meios de produção desenvolvidos que são uma capitalização feita pela propriedade exclusiva de meios de produção ainda mais desenvolvidos, os quais, quando são socializados, já foram substituídos por outros ainda mais desenvolvidos de modo que sua socialização é uma capitalização ou uma exportação de capitais que capitaliza ainda mais os exportadores de capitais ao mesmo tempo que eleva o grau de desenvolvimento dos importadores de capitais.

Esta tendência à socialização dos meios de produção não é apenas uma tendência do pensamento utópico e sim uma tendência do movimento real e do pensamento real. Basta observar o grau de socialização de meios de comunicação, os quais são também meios de produção. A imprensa socializada entre os letrados como mercadoria comprada e vendida diariamente pelos seus usuários. O rádio e a televisão socializados também entre os iletrados como mercadoria durável e/ou com tempo programado para descarte pelos seus usuários. Os computadores e celulares socializados entre letrados e iletrados como mercadoria comprada e vendida “livremente” de acordo com as “necessidades” de seus usuários. Estes últimos são meios de comunicação que são igualmente meios de produção dos seus usuários. Ou seja, nestes os usuários produzem imprensa, rádio, televisão, telefonia e, até mesmo, objetos. Estes últimos funcionam em redes e fazem de todos seus usuários ao mesmo tempo proprietários de meios de produção. Então, fica claro, que há uma socialização crescente dos meios de produção mais desenvolvidos bem como uma mudança que é partir de forças humanas de trabalho que dispõem de determinados meios de produção, logo, que não mais se reduzem a simples forças humanas de trabalho. E também o processo de produção tende a mudar do trabalho manual para o trabalho digital.

Noutras palavras, a socialização dos princípios, das determinações simples e/ou dos meios de produção é uma tendência da incessante revolução dos meios de produção que caracteriza o capitalismo e, portanto, igualmente da própria supressão ou dissolução do capitalismo por meio da socialização de meios de produção revolucionários que só podem ser revolucionados pela incessante revolução das forças humanas de produção, quer dizer, pela incessante revolução da criatividade das forças humanas que se libertam da produção medida pelo tempo de trabalho e se elevam à produção medida pelo tempo livre à maneira de Epicuro e dos economistas do século XVIII que se elevaram, por um lado, dos abstratos princípios dos átomos e do vazio da consciência da natureza para a concreção do princípio da singularidade abstrata ou do conceito da consciência humana de si e, por outro lado, das abstratas determinações simples da consciência natural da necessariamente determinada economia política para a concreção da totalidade ou síntese das múltiplas determinações abstratas da consciência social dos livremente determinados sistemas econômicos. (Ver as últimas postagens em https://singularidadeabstrata.wordpress.com/, em especial: https://singularidadeabstrata.wordpress.com/2017/05/04/problema-essencial-envolto-em-obscuras-dificuldades/ ).

Vemos por toda parte esta rede de computadores da internet tornando muito difundidas as tais das redes sociais, trazendo à tona tudo desde crimes e terrorismo até direitos e liberdades civis. Crimes que nem se imaginava mais existir, como canibalismo, apareceram sendo praticados por civilizados europeus. A pedofilia, de repente, se mostrou um problema epidêmico e também crônico em setores da Igreja Católica. O Estado Islâmico divulga seus atos terroristas pelas redes sociais. As primaveras árabes usaram as redes sociais, o mesmo uso fizeram as revoluções coloridas do Leste Europeu e os movimentos civis nos EUA, na Grécia, na Espanha, no Brasil etc. Surgiram ainda aqueles que denunciaram as sistemáticas e generalizadas espionagens feitas pelos EUA em compartilhamento com o Canadá, a Inglaterra, a Austrália e a Nova Zelândia e com a cooperação das grandes empresas do setor que são todas dos EUA (Wilileaks e Snowden). Há tempos que se falava de ciberataques e muitos foram atribuídos à China, mas, aparentemente, eram ataques um tanto inofensivos ou, pelo menos, inconsequentes. Porém, agora se fala de ciberataques consequentes e que alteraram o resultado das eleições dos EUA e ameaçam alterar o resultado das eleições na França e, talvez, em outros países europeus. De certo modo, é a Rússia que agora está entrando na nova era da informática e cibernética, a qual, foi precisamente aquela que faltou na URSS e contribuiu para que ela desmoronasse. Com isso se torna possível prever que certamente irão surgir novas grandes empresas no setor que não serão mais as dos EUA (Microsoft, Apple, Google, Facebook etc., além, é claro, da IBM, da AT&T etc.), ou seja, uma fase de exportação destes novos e muito desenvolvidos meios de comunicação e produção se torna efetiva. O que signica também que é muito provável que já existam outros novos e ainda muito mais desenvolvidos meios de produção e comunicação se efetivando nos EUA e países capitalistas desenvolvidos.

Porém, se os meios de produção e comunicação são cada vez mais sociais, isto é, precisam que os usuários sejam mais do meramente forças humanas de trabalho, ou seja, precisam que eles sejam seus proprietários e/ou posseiros, então, é aí, neste processo tão superior de desenvolvimento, que a tendência à socialização dos meios de produção está se mostrando mais efetiva, logo, é também aí que pode estar vindo a surgir um movimento real de socialização dos meios de produção mais desenvolvidos que tem sido mantido afastado desde o século XIX. Se isto for mais do que possível, ou seja, provável, então poderemos todos vir a provar, não apenas no sentido de demonstrar, mas também no de saborear, o pensamento de Marx, segundo o qual, o socialismo ou comunismo é um movimento real que só pode ser efetivado de maneira decisiva e irreversível no processo de desenvolvimento histórico nos países capitalistas dominantes, quer dizer, naqueles nos quais o capitalismo alcançou seu desenvolvimento mais avançado.

 

 

 

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